Sábado, Maio 14, 2005

A homilia (III) ou a solução final para a questão católica

Tendo chamado a atenção para os comentários, lá os fui ver.
Ressalta, desde logo, a erudição e elevação dos mesmos, e a linguagem civilizada de verdadeiros democratas.
Notei, que os comentaristas são defensores da “Solução final para a questão católica”.
Talvez se possa adaptar as incineradoras - como a de Sousel- para o efeito.
Quando acabei de ler, ficou-me a sensação de ter lido textos retirados do Senado Romano, presidido por Nero, de uma qualquer reunião na Chancelaria, presidida por Hitler, de uma reunião da Convenção do Terror da Revolução Francesa, ou do Politburo de Estaline.
Não deixa de ser interessante, que muitos dos argumentos para a preconizada “Solução final para a questão católica”, sejam os mesmo de há 2.000 anos, durante o Império Romano, que era um paradigma dos direitos humanos, acusando os cristão de obscurantistas.

Vejo que muito se evoluiu desde há 2.000 anos.

Também ressalta o verdadeiro espírito de liberdade e democracia.
Não era Voltaire que dizia “ "I disapprove of what you say, but I will defend to the death your right to say it." S.G. Tallentyre in "The Friends of Voltaire" (1906) to paraphrase Voltaire's reaction to the condemnation of Helvetius's "De l'esprit" {On the Mind}.]

J.Centeno

2 Comments:

Blogger Francisco Bruto da Costa said...

Meu caro João, acho que está a ver a questão ao contrário.
O padre é que fez uma homilia revoltante, as pessoas que o criticam poderão ser excessivas na sua crítica, mas a questão essencial fica - o padre é que começou por dizer enormidades que provocaram as tais reacções eventualmente excessivas.
O padre abusou da sua posição enquanto autoridade eclesiástica com o poder/dever de se dirigir aos fiéis - pode e deve ser veementemente criticado por isso.
Desculpe, João, mas há padres e padres.
O padre que assume o seu papel pastoral numa Igreja é uma realidade; o padre que se mete a fazer campanha política e (como o caso em apreço) acaba por dizer coisas revoltantes, é outra realidade e representa aquilo que os anti-clericais do princípio do séc. 20 chamavam a "padralhada".
A "padralhada" não tem que ser defendida pelos homens de bem, até porque as suas posições são frequentemente indefensáveis.
Os excelentes padres, verdadeiros Ministros de Deus, que por aí andam, consolando os tristes e ajudando os pobres, pouco têm a ver com os primeiros.
Um forte abraço para si, seu impenitente católico.

11:42 PM  
Blogger Francisco Bruto da Costa said...

A propósito deste tema, recebi do Dr. Grave Rodrigues o texto que passo a transcrever:

É engraçado ver alguém falar de nós nas nossas costas (sem links)...
Mas, já agora, comento o texto de J. Centeno, tão crítico em relação a mim.
Mas somente em dois pequeníssimos aspectos.
Porque o resto, de facto, não vale a pena, porque a alma, pelos vistos é bem
pequena.
Em primeiro lugar a minha intenção de atacar a Igreja não é dissimulada; é
até bem explícita, não é?
Em segundo lugar, a homilia do padre representa, de facto, a Igreja e é dela
bem típica.
É essa a minha profunda convicção.
Só é pena é que tanta gente confunda deus ou a sua fé, com a Igreja do país
onde por acaso nasceu...
Mas, bem vistas as coisas, lá para o fim será deles o reino dos céus.
Os meus melhores cumprimentos aos autores e leitores deste excelente Blog.
Luís Grave Rodrigues.

11:22 PM  

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